"Cara tu não vai nem acreditar..."
... A minha caminhada com Engenheiros do Hawaii começa muito antes mesmo que eu pudesse perceber... anos depois pude entender que a música com rajada de metralhadora "RATATATÁ" que minha mãe escutava e cantava desde sempre (Os Incríveis) viria a ser um hit EngHaw... Coincidência? Sinceramente não sei! Só sei que nasci em 1984, na cidade de Erechim, no Alto Uruguai gaúcho, alguns meses antes do show de estréia na escola de Arquitetura da UFRGS...
...começo hoje a narrar algumas passagens interessantes nesta minha caminhada...
...escutávamos Engenheiros por horas e horas seguidas, dias a fio, incessantemente, eu e meu amigo Deivison, guri massa, que assim como eu, respirava Engenheiros... Meu pai sempre dizia "Só sabes escutar isso guri!" e o pai dele dizia "Tá certo gostar de mulher, mas gostar, deste jeito, de alemão cabeludo e barbado...", era divertido mesmo. Meu pai sempre foi daqueles que escutou música tradicionalista, que gosta das coisas do nosso chão (do chimarrão, do churrasco...), não nego, gosto muito disso, mas gosto muito também do bom e velho Rock'nRoll!
... um dia desses, lá por 2005-2006, resolvi entrar em um fórum que discutia a falta de shows nas casas de show da região norte do Rio Grande do Sul e na Região Oeste de Santa Catarina e imaginem os senhores que naquele (s) ano (s) a internet discada ainda era predominante, 5 minutos para discar, 20 minutos para abrir a página (senão 30, 40, 50...), era uma luta diária... quando um certo dia, depois de muita persistência (meses seguidos), após os tantos minutos para estabelecer conexão e abrir a página... o dono de uma casa de shows de Xaxim-SC, nos respondeu dizendo que ele já havia contratado Engenheiros do Hawaii para tocar (naquele ano a febre do Acústico MTV havia tornado o volume de shows muito grande e era complicado contratar a banda, eram meses de antecedência para que isso fosse possível). Nos dias subseqüentes, como todo bom fã, não conseguíamos pensar em outra coisa, somente no show e como iríamos fazer para ter contato com o nosso ídolo, já que antes disso nunca tivemos a oportunidade de estar frente a frente com ele. Resolvemos então ir até a casa de shows em uma terça-feira a tarde (eu, Deivison e Alex) para conversar com o cara (Júnior) para viabilizarmos a nossa entrada ao camarim. Naquela tarde, o Júnior tinha ido viajar e voltaria somente no final do dia. Esperamos a tarde toda e conversamos, explicamos a situação de fãs que somos, combinamos tudo. Para que ele nos desse uma "força" na entrada ao camarim, propôs que fôssemos aos próximos shows que iriam ocorrer, incluindo (graças a Deus) Biquini Cavadão e Cidadão Quem e ainda por cima que ajudássemos na divulgação do show, distribuindo folders, foi o que a gente fez.
Eu já desenhava desde guri, porém passei a me profissionalizar em 2004. No dia em que fiquei sabendo do show pensei: "vou fazer um desenho em carvão, do clipe parabólica, daquela foto que está no encarte do box Infinita Highway para presentear o Humberto".
Os dias que antecederam o show foram de ansiedade extrema, como diria o mestre "Envelheci 10 anos ou mais neste último mês!"
Nos dois shows que fomos (Cidadão Quem e Biquini Cavadão) vibramos em outra frequência, tendo a oportunidade de ouvir e cantar junto duas músicas (Toda Forma de Poder por Bruno Gouveia) e (Terra de Gigantes por Duca Leindecker) para aumentar a ansiedade pré-show.
Sem contar que todos os dias ficávamos acompanhando no rádio a chamada do Humberto para o show e na tarde do dia do show, a entrevista.
Chegado o dia do show, horas antes como sempre estávamos lá, trazendo com a gente o arsenal: quadros, cd's, dvd's... Tendo a noção de que a missão estava cumprida e que por este motivo a nossa entrada ao camarim estava garantida, não nos preocupamos, mas me veio na cabeça a idéia de confirmar com o Júnior, nisso ele saiu e disse que não sabia, que ia ser complicado porque o Humberto não queria receber ninguém, enfim, depois de tudo o que fizemos o cara tinha deixado a gente na mão. Foi aí que surgiu a Vanessa, guria que trabalhava lá com ele, sensibilizada com a situação, chamou o pessoal da produção, que na hora, vendo os quadros, o material todo e tamanho fanatismo nosso, liberou nossa entrada! O show foi muito bom e de quebra ainda ouvimos "Freud Flintone". Minutos antes de acabar o show, um pouco antes do "bis", saímos em direção ao camarim, onde na porta de entrada encontramos duas gurias paradas, já esperando, só que pelo que vimos, não tinham material nenhum, foram só para "ter uma foto". Elas olharam pra gente e disseram que elas eram as primeiras (lógico, com ar de ironia) e pediram se a gente poderia fotografar caso entrássemos logo em seguida...
Lá fora ouvimos Pra ser sincero e Era um Garoto... já no "bis" e quando a banda se dirigiu ao camarim (nessa altura do campeonato a fila já estava enorme), a Vanessa saiu na porta e perguntou: tem alguém com o crachá da imprensa? Depois disso ela disse: Infelizmente o Humberto só vai receber o Rafa e o Deivison! As gurias ficaram de cara com a gente...
Mas tudo bem, lá dentro entre conversas e autógrafos, meu amigo disse ao Humberto: "Nesse ano vamos ver se o Brasileirão é nosso!" e o Humberto tirou onda com o Bernardo: "Putz, viu Bernardo e tu ainda és Flamenguista, ahaha!". Na hora dos autógrafos o nervosismo tomava conta, naturalmente, a gente nem soube direito o que dizer. Pedi para o Deivison segurar o quadro que eu fiz para o Humberto, pois estava com minhas mãos carregadas, ele então entregou o quadro ao Humberto que disse: "Pô que massa! Foi tu quem fez?" Nisso o Deivi apontou para mim dizendo: "Não, não, foi o Rafa!"... O Humberto agradeceu, autografou nossos materiais e fotografou com a gente.
Obs.: Se não fosse por mim, a foto teria ficado massa! Cabelo feio, PQP! Hehehe
Aquele encontro como todos os outros que vieram depois ficarão para sempre gravados na memória.
Na volta para casa quase capotamos o carro com 6 pessoas, mas que nada, naquela hora teríamos morrido felizes...
E o mais legal é que dois anos depois, mais ou menos, o Humberto postou no site dos Engenheiros a foto do quadro na parede da casa dele, isso se chama reconhecimento!
Valeu! Essa é uma das histórias de shows que entraram para a história da minha vida, logo voltarei para contar outras mais...
"Sempre que eu preciso me desconectar, todos os caminhos levam ao mesmo lugar, é o meu esconderijo meu altar..." (DeFé, Humberto Gessinger)







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