domingo, 24 de julho de 2011

" Hoje eu acordei mais cedo, tomei sozinho um chimarrão, procurei a noite na memória, procurei em vão..."

...voltando pra contar mais uma de minhas S-tórias nesta caminhada acompanhando a  banda Engenheiros do Hawaii, relembro que tive a oportunidade de estar ao lado do Humberto por duas vezes no mesmo dia...

... como a gente sempre acompanhou a agenda de shows pelo site da banda, verificamos lá que teria um show em Chapecó-SC. Desta vez resolvi unir as duas paixões no mesmo quadro (Grêmio e Engenheiros do Hawaii), no momento em que pensei em fazê-lo, estava vendo o DVD 10.000 destinos e na música "Illex Paraguariensis Alívio Imediato"  vi uma imagem que me chamou atenção... e foi dessa imagem que surgiu o quadro, com a adição do brasão do Grêmio dentro da engrenagem, assim como no Várias Variáveis...


... passamos todos os dias que antecederam o show, pensando em como faríamos para conseguir falar com o Humberto novamente... foi quando tivemos a brilhante idéia de ir até a RBS TV, pois tínhamos a certeza de que ele daria uma entrevista lá e seria uma ótima oportunidade... chegamos por volta de 11:30h e pedimos para a guria que estava no balcão de atendimento se a banda viria para dar entrevista no jornal do meio-dia e ela nos respondeu que o vocalista viria, mas que ela não gostava não da banda (ruim para ela né). Passados uns 15 minutos vimos uma van vindo em direção ao estúdio, era o Humberto chegando. Ele desceu da van, nos cumprimentou e então entregamos o quadro e pedimos alguns autógrafos e fotografias. Nisso ele colocou o quadro em um sofá que havia ali e veio tirar foto com a gente! Meu amigo (Deivison) tremia e não conseguia tirar as fotos, foi quando alguém pegou a câmera e fez o enorme favor... 







... depois de fazer as fotos,  Humberto agradeceu, se despediu, pediu desculpas pelo tempo escasso, por não poder ficar ali trocando idéias e foi em direção a porta do estúdio, adentrando ao mesmo. Nisso, ele voltou correndo e disse: Putz, não posso esquecer o meu quadro aqui! (o quadro havia ficando no sofá onde ele deixou na hora de fotografar com a gente) e complementou: Ah o outro quadro está na parede lá em casa! Na hora  não acreditei muito... mas depois, como mostrei no post anterior, o quadro estava lá mesmo, na casa dele! Saímos dali mais uma vez muito felizes com a situação e fomos correndo para conseguir pegar a entrevista na TV.

A tarde foi de ansiedade e de preparativos para o show. O show era promovido pela Claro (CLARO MUNDO ROCK) estava previsto para ter início 01:00h da manhã e a gente chegou perto das 19h, ficamos por lá esperando, para sermos os primeiros da fila, como sempre... após umas 2h o pessoal começou a chegar (inclusive uns amigos que conhecemos no show passado), foi quando as gurias da Claro que estavam por ali fazendo o marketing da empresa, nos chamaram e pediram se a gente gostaria de entrar no camarim, pois estávamos ali desde cedo e entenderam que éramos mesmo fãs da banda. Prontamente aceitamos o pedido, mas para entrar no camarim, teria uma exigência: ter celular da operadora. Eu, na época, usava celular Tim e meu amigo usava Claro. Percebendo que eu teria problemas por não usar o celular Claro, um dos guris que chegou depois, emprestou o seu celular para que não barrassem a minha entrada. Ficarei grato a ele para sempre!


!O show mais uma vez foi ótimo! Muitas fotos, desta vez o Humberto nos presenteou com a música "Mapas do Acaso" e sorriu  ao perceber que eu acenava as bandeiras do RS e do Grêmio, que me acompanharam em todos, desde o primeiro show!






Ao final do show, entramos no camarim, porém fomos desprevenidos, acabamos não levando nada de material para autografar, pois não esperávamos por esta surpresa, o massa foi que conseguimos mais umas fotos... e um sorriso de "vocês por aqui de novo!"








... este foi mais um relato de fã, aguardem por mais postagens... 

Valeu!

"...estamos no mesmo barco sob a mesma lua..." (Mapas do Acaso, Humberto Gessinger) 

sábado, 23 de julho de 2011

!S-tórias!

"Cara tu não vai nem acreditar..."

... A minha caminhada com Engenheiros do Hawaii começa muito antes mesmo que eu pudesse perceber... anos depois pude entender que a música com rajada de metralhadora "RATATATÁ" que minha mãe escutava e cantava desde sempre (Os Incríveis) viria a ser um hit EngHaw... Coincidência? Sinceramente não sei! Só sei que nasci em 1984, na cidade de Erechim, no Alto Uruguai gaúcho, alguns meses antes do show de estréia na escola de Arquitetura da UFRGS...

...começo hoje a narrar algumas passagens interessantes nesta minha caminhada...

...escutávamos Engenheiros por horas e horas seguidas, dias a fio, incessantemente, eu e meu amigo Deivison, guri massa, que assim como eu, respirava Engenheiros... Meu pai sempre dizia "Só sabes escutar isso guri!" e o pai dele dizia "Tá certo gostar de mulher, mas gostar, deste jeito, de alemão cabeludo e barbado...", era divertido mesmo. Meu pai sempre foi daqueles que escutou música tradicionalista, que gosta das coisas do nosso chão (do chimarrão, do churrasco...), não nego, gosto muito disso, mas gosto muito também do bom e velho Rock'nRoll!

... um dia desses, lá por 2005-2006, resolvi entrar em um fórum que discutia a falta de shows nas casas de show da região norte do Rio Grande do Sul e na Região Oeste de Santa Catarina e imaginem os senhores que naquele (s) ano (s) a internet discada ainda era predominante, 5 minutos para discar, 20 minutos para abrir a página (senão 30, 40, 50...), era uma luta diária... quando um certo dia, depois de muita persistência (meses seguidos), após os tantos minutos para estabelecer conexão e abrir a página... o dono de uma casa de shows de Xaxim-SC, nos respondeu dizendo que ele já havia contratado Engenheiros do Hawaii para tocar (naquele ano a febre do Acústico MTV havia tornado o volume de shows muito grande e era complicado contratar a banda, eram meses de antecedência para que isso fosse possível). Nos dias subseqüentes, como todo bom fã, não conseguíamos pensar em outra coisa, somente no show e como iríamos fazer para ter contato com o nosso ídolo, já que antes disso nunca tivemos a oportunidade de estar frente a frente com ele. Resolvemos então ir até a casa de shows em uma terça-feira a tarde (eu, Deivison e Alex) para conversar com o cara (Júnior) para viabilizarmos a nossa entrada ao camarim. Naquela tarde, o Júnior tinha ido viajar e voltaria somente no final do dia. Esperamos a tarde toda e conversamos, explicamos a situação de fãs que somos, combinamos tudo. Para que ele nos desse uma "força" na entrada ao camarim, propôs que fôssemos aos próximos shows que iriam ocorrer, incluindo (graças a Deus) Biquini Cavadão e Cidadão Quem e ainda por cima que ajudássemos na divulgação do show, distribuindo folders, foi o que a gente fez.




Eu já desenhava desde guri, porém passei a me profissionalizar em 2004. No dia em que fiquei sabendo do show pensei: "vou fazer um desenho em carvão, do clipe parabólica, daquela foto que está no encarte do box Infinita Highway para presentear o Humberto".



Os dias que antecederam o show foram de ansiedade extrema, como diria o mestre "Envelheci 10 anos ou mais neste último mês!"

Nos dois shows que fomos (Cidadão Quem e Biquini Cavadão) vibramos em outra frequência, tendo a oportunidade de ouvir e cantar junto duas músicas (Toda Forma de Poder por Bruno Gouveia) e (Terra de Gigantes por Duca Leindecker) para aumentar a ansiedade pré-show.

Sem contar que todos os dias ficávamos acompanhando no rádio a chamada do Humberto para o show e na tarde do dia do show, a entrevista.

Chegado o dia do show, horas antes como sempre estávamos lá, trazendo com a gente o arsenal: quadros, cd's, dvd's... Tendo a noção de que a missão estava cumprida e que por este motivo a nossa entrada ao camarim estava garantida, não nos preocupamos, mas me veio na cabeça a idéia de confirmar com o Júnior, nisso ele saiu e disse que não sabia, que ia ser complicado porque o Humberto não queria receber ninguém, enfim, depois de tudo o que fizemos o cara tinha deixado a gente na mão. Foi aí que surgiu a Vanessa, guria que trabalhava lá com ele, sensibilizada com a situação, chamou o pessoal da produção, que na hora, vendo os quadros, o material todo e tamanho fanatismo nosso, liberou nossa entrada! O show foi muito bom e de quebra ainda ouvimos "Freud Flintone". Minutos antes de acabar o show, um pouco antes do "bis", saímos em direção ao camarim, onde na porta de entrada encontramos duas gurias paradas, já esperando, só que pelo que vimos, não tinham material nenhum, foram só para "ter uma foto". Elas olharam pra gente e disseram que elas eram as primeiras (lógico, com ar de ironia) e pediram se a gente poderia fotografar caso entrássemos logo em seguida...


Lá fora ouvimos Pra ser sincero e Era um Garoto... já no "bis" e quando a banda se dirigiu ao camarim (nessa altura do campeonato a fila já estava enorme), a Vanessa saiu na porta e perguntou: tem alguém com o crachá da imprensa? Depois disso ela disse: Infelizmente o Humberto só vai receber o Rafa e o Deivison! As gurias ficaram de cara com a gente...

Mas tudo bem, lá dentro entre conversas e autógrafos, meu amigo disse ao Humberto: "Nesse ano vamos ver se o Brasileirão é nosso!" e o Humberto tirou onda com o Bernardo: "Putz, viu Bernardo e tu ainda és Flamenguista, ahaha!". Na hora dos autógrafos o nervosismo tomava conta, naturalmente, a gente nem soube direito o que dizer. Pedi para o Deivison segurar o quadro que eu fiz para o Humberto, pois estava com minhas mãos carregadas, ele então entregou o quadro ao Humberto que disse: "Pô que massa! Foi tu quem fez?"  Nisso o Deivi apontou para mim dizendo: "Não, não, foi o Rafa!"... O Humberto agradeceu, autografou nossos materiais e fotografou com a gente.



Obs.: Se não fosse por mim, a foto teria ficado massa! Cabelo feio, PQP! Hehehe



Aquele encontro como todos os outros que vieram depois ficarão para sempre gravados na memória.
Na volta para casa quase capotamos o carro com 6 pessoas, mas que nada, naquela hora teríamos morrido felizes...
E o mais legal é que dois anos depois, mais ou menos, o Humberto postou no site dos Engenheiros a foto do quadro na parede da casa dele, isso se chama reconhecimento!



Valeu! Essa é uma das histórias de shows que entraram para a história da minha vida, logo voltarei para contar outras mais...

"Sempre que eu preciso me desconectar, todos os caminhos levam ao mesmo lugar, é o meu esconderijo meu altar..." (DeFé, Humberto Gessinger)



quinta-feira, 7 de julho de 2011

O campo é assim meus senhores...

"... era pedra e seguiu pedra, por eterna a vida inteira e um dia ficou no campo, cansou de ser boleadeira..." (Gujo Teixeira)

Escutando este belo poema musicado, de autoria de Gujo Teixeira, resolvi escrever sobre o quão superficiais somos ao nos preocuparmos com coisas que muitas vezes julgamos importantes e deixarmos passar em branco situações que realmente valem a pena, os pequenos detalhes...

Admiro muito as pessoas que trazem consigo a sensibilidade de perceber nas pequenas situações, as grandes mudanças! Atribuo como virtude, esta capacidade de tratar tudo que passa despercebido aos olhos da maioria com importância que realmente merecem...

...vou direcionar a conversa à FILOSOFIA DE CAMPO, esta que traz em sua essência a verdade do homem campeiro, do dia-a-dia de um povo que é rude, mas acima de tudo, humilde.

Como não escutar a melodia formada pelos pingos de chuva caindo no telhado quando "bate água"? Como não observar o quero-quero, o "sentinela dos pampas" em sua ronda e seus alertas guerreiros? Como deixar passar despercebida a semelhança do cerne queimando em fogo de chão e a aurora nos fins de tarde? E a beleza das araucárias e das flores de maçanilha?

Tudo isso faz parte do nosso mundo, retratar a vida nos pampas parece algo apenas poético, mas bem sabemos que isto é a verdade do campo. Nas prosas, nas rodas de chimarrão ao redor do fogo de chão revivemos o passado, confraternizamos. A acolhida no aconchego do rancho é um exemplo de fraternidade quando se dá "Oh de casa". Quantas lições podemos tirar em cada situação! Esse é o nosso jeito, nosso estilo gaúcho de mostrar ao mundo o quanto valorizamos as pequenas coisas, não precisamos de "muito" para termos muito! Observamos cada detalhe, pois o tempo é escasso pra querer voltar pra trás.

Acreditar por exemplo, que o real valor está associado a bens materiais é hipocrisia. Quando pensamos desta forma acabamos por deixar de lado o fato que a vida vivida na simplicidade em sua plenitude é o caminho certo para a felicidade.

"Não é pecado ser feliz com pouca coisa, quando se quer apenas vida e um pouco mais!".

Não vem ao caso, mas vou citar o mal que mais afeta a população nos dias de hoje: a depressão. Estamos tão preocupados com: "quanto dinheiro temos que ganhar", "quantas coisas deixamos de fazer", "o que os outros vão pensar"... a pressão é tamanha, que hora ou outra nos deparamos com este problema. No final de tudo percebemos que a vida passou e que podíamos ter aproveitado cada segundo, mas aí já é tarde demais.

Por isso gostaria de propor aos senhores, indiferentemente do estado de origem, da crença, do estilo de vida...  sigam a filosofia do campo, não deixem a vida passar em branco, afinal, não teremos outra chance.

Mil Gracias!

sábado, 2 de julho de 2011

?Que país é este?

...um país com enorme diversidade cultural, étnica, ideológica... um país que ao longo dos seus quinhentos e poucos anos de "existência" passou por tantas mudanças... acumulou tanta história, pena que muito desta história não foi contada, somente vivida! 


Os livros de história costumam trazer em suas páginas, textos, que exaltam os fatos chamados de "históricos", ocorridos em nosso país. Certas pessoas envaidecem os "desbravadores", fazem deles os heróis da história. !O que seria do nosso país sem os desbravadores?!
Os vilões acabam se tornando os heróis, isso é inevitável! 
Quantas vidas foram tiradas? Quanto sofrimento? Quanta injustiça social nosso país traz na bagagem desde seu suposto descobrimento?
Este país tropical, diverso, completo e complexo, já foi habitado unicamente por nativos (índios) acreditem os senhores ou não! É difícil imaginar isso não é? Poisé, os exploradores (no sentido amplo da palavra), praticamente exterminaram a raça bugra nativa do nosso país! A nossa terra fértil, que antes era molhada apenas pela água da chuva foi manchada de sangue! É mais fácil esconder os fatos e mostrar somente o que convém! Mas isso tudo aconteceu nos primórdios de nossa história de exploração e decadência!
Nosso país já foi palco de dominação, de escravidão,  de diversas guerras, de opressão, de manifestações em busca de liberdade, justiça social e dignidade para o povo! A opressão sempre foi a arma mais potente de quem esteve no poder, os "mais fracos" foram maltratados, humilhados, amordaçados, inativados. Verdadeiros homens e mulheres (Sepé Tiarajú, Zumbi dos Palmares, Tiradentes, Chico Mendes, Luiz Carlos Prestes, Olga Benário Prestes, Dilma Roussef, dentre tantos outros) lutaram bravamente por um bem comum, o bem comum de seu povo em sua época! 
Mas afinal, que país é este?
Um país que traz em seu hino a palavra LIBERDADE. Mas de que adianta a liberdade, se o preço que se paga por ela é alto demais? Direito de ir e vir, direito de todos e privilégio de poucos! Traz também a palavra IGUALDADE, mas afinal, aonde está a igualdade? Talvez esteja tão escondida que não conseguimos encontrá-la. IRONIA? Não, de forma alguma. O discurso é perfeito, mas vários seres humanos morrem de fome, enquanto alguns "riem da desgraça dos outros"! E não me venham os senhores com a conversa de que isso é inevitável, de que a desigualdade pode ser descrita como "diversidade"! Não podemos nos omitir a este ponto! 
Um país que tem em sua bandeira as cores verde (mata), amarelo (riquezas), azul (céu) e branco (paz) e o lema "Ordem e Progresso". Várias contradições não é senhores? Matas? Quanto de nossa área verde ainda encontra-se conservada? Nossas riquezas foram bem distribuídas? Nosso céu ainda é azul? E por fim onde está a paz? 
Não há ORDEM alguma, se pararmos para pensar, segundo as leis da Físico-Química tudo tende a desordem e não seria diferente aqui. O tão aclamado PROGRESSO foi o responsável pela destruição das nossas matas, do acúmulo de riquezas e decadência das mesmas, do nosso céu acinzentado, poluído e consequentemente das guerras e derramamentos de sangue!
O discurso foi e continua sendo demasiadamente literal, mas a realidade é outra, vivemos em um país que sobrevive as interpéries do tempo, então me pergunto... ?até quando? 

Fácil falar, fazer previsões, depois que aconteceu, fácil sonhar com condições ideais, que nunca existirão! (Humberto Gessinger)