quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O inferno que é viver assim...

Então... o que falaram na última cena? Bah, sumiu... minha memória vem se tornando falha e as dores de cabeça frequentes... os dias têm sido difíceis e os pesadelos constantes. Sinto que estou aprisionado em mim mesmo...


"Eu não vou dormir pra não acordar e depois descobrir que tudo eu sonhei..."

   
Por tantas vezes desejei ser inapto ao uso da razão, esta mesma razão que constrói e destrói. Dualidade que nos possibilita ao entendimento de muitas das coisas que nos rodeiam...


"Não é só a razão, mas também a nossa consciência, que se submete ao nosso instinto mais forte, ao tirano que habita em nós." (Friedrich Wilhelm Nietzsche)


Na vida tudo é cíclico, a cobra morde o próprio rabo. Em outras palavras, o tempo passa e em determinado momento voltamos ao mesmo ponto (só que desta vez menos ingênuos) para encarar aquilo que nos torna frágeis. Todos nós, senhores, temos algo que nos aniquila. Todo ser dotado de razão é bastante sábio para compreender isso... nos tornamos escravos dos nossos medos. Nossas angústias afloram, parecem sair pelos poros...


... sempre que estou assim, entendo o porque, "vários" enlouqueceram trancados em seus quartos tentando encontrar algum sentido... o fato de compreender determinadas situações e não poder ou não ter alguém para compartilhar da mesma insanidade traz a tona este caos existencial.


 Lembro de uma frase disparada por uma guria há um tempo atrás para um amigo meu: "... e tu que vives aí trancado nesse teu mundinho, nessa tua caixinha de vidro!", mal sabia ela o mundo em que ele vivia... refugiar-se em si mesmo pode ser algo sem sentido para quem não está no olho do furacão... é fácil julgar né, difícil é suportar a dor e sair vivo...

... ao me olhar no espelho sinto que há algo frio e vazio por trás do meu sorriso, algo que continua transgredindo dia após dia... Será a loucura batendo à porta? E agora segura a onda Dorian Gray...


Desculpem-me pela ausência, espero que entendam... 





domingo, 2 de outubro de 2011

Quero explodir as grades e voar...

... de volta ao tempo que acreditei que jamais passaria... 



Por que os domingos nos fazem refletir deste jeito? Será por que os melhores momentos da vida foram vividos aos domingos? Ou hoje, os domingos tem sido os dias de maior solidão?

No meu caso, traz recordações nítidas de uma infância saudável, de tardes de domingo ao lado dos pais, dos avós, dos tios, dos primos e dos amores platônicos deste guri, no interior gaúcho...

...um guri sonhador, desde cedo motivado por ideais de justiça, legado das histórias em quadrinhos e desenhos animados de tantos justiceiros, que acabo por perder as contas. Sozinho, em silêncio, passava horas e horas repetindo as maravilhosas frases e ditos dos heróis fictícios, com poderes extraordinários. Imaginava o que faria se pudesse dispor dos tais "super-poderes". Por falar em imaginação, quantas estórias já criei em minha mente... todas pareceram sempre muito palpáveis, tão reais que podia visualizar com bastante clareza. E o mais engraçado, sem ao menos fechar os olhos, bastava ficar sozinho e as batalhas e revoluções eram ali travadas, com os mais diversos inimigos que na realidade existiam e me fortaleciam na busca por mais uma de minhas bravas aventuras...

"Na calçada onde joguei futebol e o gol era esse portão..."

...mas voltando aos domingos... dia de reunir a família... sempre gostei de estar na casa dos meus avós. Me recordo do cercado, da mureta, da rua de calçamento, das tardes de futebol e das conversas no final da tarde, da casa quase em frente e da guria da casa quase em frente, que desde cedo me encantava... a infância é realmente a melhor fase da vida. Correr, brincar, cair, apanhar, chorar, perdoar e amar... amor inocente e puro. 

" o tempo passou, claro que passaria, como passam as vontades que voltam no outro dia..."

... o cheiro das flores da arvorezinha que projetava a sombra na calçada (onde sentávamos para descansar depois de um longo período correndo atrás da bola) ainda hoje me faz voltar ao passado. Aquele cercado e a mureta não existem mais, foram substituídos por uma enorme grade... as crianças cresceram e seguiram cada um o seu rumo, o futebol e as conversas no final da tarde se perderam, as tardes de domingo já não são as mesmas há muito tempo e uma sensação de impotência ao ver que todos envelheceram toma conta de mim... 


... a presença das pessoas que a gente ama de verdade é fundamental, meus avós sempre foram muito presentes e eu sempre muito ligado a eles... um laço afetivo maior que qualquer outro, o amor mais sincero, o colo mais aconchegante, os abraços mais apertados, os beijos mais carinhosos e as conversas mais divertidas, que jamais esquecerei, naquelas tardes de domingo...


Relembrar é compreender que o tempo passou e que não há nada a se fazer... a não ser relembrar!